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Entrevista Eike Batista - OGX é LP

Sobre OGXP3,
Publicado em 19/05/2013 às 12:10

Transcrição das perguntas de uma entrevista realizada em 04/10/2012 em São Paulo, para o The Economist, numa rodada de entrevistas com grandes empresas.

Optei por não colocar algumas partes irrelevantes da entrevista, para não ficar muito prolongado no texto.

 

Eike Batista: Brasil em 2050

 

Entrevistadora: Helen Joyce

Entrevistado: Eike Batista

 

1)Em Junho a OGX, sua empresa mais valiosa, viu o preço de suas ações caírem pela metade emapenas duas semanas depois do anúncio de produção dos seus dois primeiros poços serem de apenas 25% do esperado. Gostaria de ouvir do senhor dos seus planos para se recuperar depois desses contratempos.

 

EIKE: Claro, é... resultados, resultados, resultados. E, na verdade, talvez a melhor maneira é mostrar o tamanho dos nossos projetos na área de logística, aqui o super porto do Açu, que começou como um porto de minérios, pra transportar só minérios, que quando a gente enxergou que tava no sudeste do Brasil, a gente podia fazer esse complexo porto-indústria que está se transformando no roterdan tropical. Quem conhece o roterdan, (este) é o grande porto da europa onde grandes navios chegam e a partir daí essas cargas são redistribuídas. Então o porto foi engenhado assim, e o que sustenta esse porto são as reservas de minério de ferro que estão em Minas Gerais, no valor de 2 trilhões de dólares em ativos, de várias companhias, e na frente, no offshore, o petróleo.a Então, quer dizer, projetos de longa duração, longa maturação... então por exemplo, essa é nossa empresa de logística. Na nossa empresa de geração de energia, onde começamos a investir há 5 anos atrás, também, projetos onde investimos 7 bilhões de reais... você fica lá investindo durante 4 anos, mês a mês, e no Brasil, obviamente, tivemos greves, coisas naturais de uma democracia, mas executamos, só pra lhes dar uma idéia do que fizemos, a partir de outubro vamos entregar uma planta pronta em P100, uma no Maranhão, e as descobertas de gás na Bacia do Parnaíba nos permitiram descobrir gás suficiente pra criar lá o maior parque térmico do nordeste. Então, meus amigos, outubro inaugurou uma, novembro inaugurou outra e inicio de janeiro (2013) inaugura a terceira planta. Somando um complexo de 3.000MW de energia térmica, que você pode computar como energia de base. Isso equivale, meus amigos, a 5% da energia instalada no Brasil. Talvez a melhor maneira de entender que isso demora muito tempo é ver um pequeno vídeo pra vocês entenderem melhor a dimensão das coisas, ... e gostaria de convidar os jornalistas que ficam cobrando o negócio trimestral, imediato, nhenhenhe, pra levar um choque na tomada na hora que a gente ligar essa térmicas, ta? (risos). Deixa eu mostrar o que a gente faz lá, por favor. (apresentação de um vídeo curto, ver no link abaixo mostrando as construções no modo rápido de vídeo, mostrando a grandiosidade das mesmas) Olha o tamanho dessas giringonças, desculpa, não dá pra fazer mais rápido. (risos) Ninguém entende isso.

Fazendo uma comparação com o Facebook. Eles ficaram 8 anos e inventaram uma maneira ais inteligente. Eu fui pro mercado de capitais, então eu sou vigiado diariamente. A mídia adora fazer uma fofoquinha nossa. E no caso do Facebook, eles vieram captando como uma empresa fechada recursos em pedaços... foi bem bolado. Mas só fazendo a comparação. Nos EUA existe essa tolerância para empresas que ficaram 8 anos se desenhando. Então, nada mal (gerar 3000MW, ou seja, 5% da energia do Barsil) em 4 anos!

 

2)Mas onde estava o erro? Nas expectativa dos investidores? Ou somente para curto prazo?

 

EIKE: Isso tudo foi na empresa de energia. Na empresa de petróleo, os dados técnicos mostravam que o campo, o primeiro poço específico, poderia produzir até 40.000 barris. Seria um negócio tão fantástico que nós mesmos reduzimos a expectativa pra 10 a 20 mil barris/dia. E na verdade, o primeiro poço se chama Teste de Longa Duração. Como nós fomos infelizes de comunicar... você como uma empresa de petróleo que a partir do ano que vem, nós vamos instalar mais 10 poços... 2014 mais 30, e ai você é medido por 1 poço, ta certo, é uma maneira do mercado te analisar, é claro, mas a expectativa não foi cumprida e o mercado é assim mesmo. Você é punido na hora. É isso mesmo, esperávamos entregar o dobro e produzimos a metade e o mercado te castiga na hora. Agora, esperem, a capacidade nossa de execução pra remediar isso é realmente ver o terceiro poço, resultado e resultado. Só assim você realmente mostra o que o grupo faz.

 

No resto da entrevista, Eike é questionado sobre sua visão sobre o futuro do Brasil como um todo, mais focado na área da Educação, e deixa claro sua insatisfação com a falta de mão de obra qualificada e a educação precária. Reportando assim, a necessidade imediata de trazer de fora engenheiros, técnicos, para suprir as necessidades do mercado.

 

EIKE: Vários dos nossos projetos estão sendo construídos com empreiteiras extrangeiras que estão vindo pro Brasil, por que aqui é um canteiro de obras gigantesco... O nosso estaleiro no Açu, é o maior estaleiro das Américas, e foi desenhado pra cumprir a obrigação de 70% de conteúdo nacional, e foi desenhado com uma diferença. Foi “não me venha fazer um puxadinho”, ta certo? O que fizemos? Fomos buscar a melhor tecnologia do mundo e acredito que em 5 anos vamos poder competir com os coreanos a nível de preço. A nível de eficiência de produção de grandes embarcações. E a grande conquista do grupo, acreditamos que foi, conquistamos encomendas da Petrobras...pra você ganhar uma concorrência na Petrobras você tem que fazer seu dever de casa. Estamos muito orgulhosos e podemos dizer que vamos ajudar o Brasil a crescer como grande supridor e obviamente a Petrobras é a maior compradora e vai ser e também tem que cumprir a exigência de conteúdo nacional, que hoje no setor do petróleo está em 70%. Por isso que está todo mundo vindo. Se não existisse essa lei, todas as empresas não estaria vindo investir no Brasil. Então, o que sempre foi feito foi “puxadinho”. Puxadinho não! (risos)

 

3) Como você fará pra superar a questão administrativa do porto? É um projeto arrojado e que o Brasil precisa dele. Mas eu faço um estudo comparativo entre a operação dos portos no mundo e no Brasil. E sinceramente, eu fico preocupada com essa diferença, onde os portos na ásia funcionam 24hs e aqui tem hora de almoço, 8 hrs com encerramento pro almoço, lanche... como fazer pra superar tudo isso?

 

EIKE: Primeiro que é um porto privado, né. Porque nós somos sócios da maior parte do empreendimentos. Enfim... espero que vossa excelência empurre ai que o marco regulatório libere ai direto (risos). (A senadora que fez a pergunta no final diz: o porto é privado, mas não se esqueça que todos os operadores do porto público estão lá dentro, e é exatamente isso que atrasa....). Eike responde: não, não não... aqui vai ter só receita federal. (risos). Ela contesta: Olha que não, hein! Eike ri, e diz, mesmo assim eu não posso operar contêiner, libera gente ai pra operar contêiner... deixa a gente concorrer com santos, é bom para o Brasil. Está na sua mão (derrubar o decreto). Agradeço antecipadamente. (risos)

 

No fundo, nós desenhamos o Brasil pra 50, 100 anos na frente, sabe. Essa é nossa cultura. O grupo (nessa época) está com 9 bilhões em caixa. Até o final do ano entra mais 2 blhões. Mais do que o suficiente pra completar toda a execução disso ai. E enfim, esse imediatismo tropical é que a gente tem que respeitar. Essas são obras estruturantes, tranformacionais, caramba, não é fácil executar, e dúvido que alguém esteja executando obras desse porte. Obrigado!

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